• 22.ago.2018

    Dólar volta a fechar em alta e aumenta risco de bater R$ 4

    A escalada do dólar rumo aos R$ 4,00 é um risco que tem crescido a cada sessão no mercado brasileiro. A moeda americana já acumula 9 avanços em 11 dias úteis. E esta semana – repleta de pesquisas eleitorais – já começou com uma alta de 1,07%, que levou a cotação para R$ 3,9566. Foi o maior nível desde 29 de fevereiro de 2016, quando bateu, justamente, a marca de R$ 4,0036.

    Na máxima desta segunda-feira, a divisa americana chegou a R$ 3,9702, o que também não era visto em mais de dois anos. De acordo com operadores, o receio sobre as próximas pesquisas eleitorais alimenta a busca por proteção, que já é sustentada pelo ambiente externo mais adverso para emergentes.

    Pela frente, os investidores enfrentam os resultados da pesquisa Ibope (hoje à noite) e do Datafolha (quarta-feira). Mais cedo, os números da CNT/MDA confirmaram alguns motivos de desânimo de muitos investidores, já que Geraldo Alckmin (PSDB) ainda enfrenta dificuldades para angariar apoio popular.

    Candidato mais alinhado à agenda econômica defendida no mercado, Alckmin (PSDB) teve 4,9% das intenções de voto. Por outro lado, o ex-presidente Lula (PT) liderou a pesquisa com 37,3%, Jair Bolsonaro (PSL) veio em seguida com 18,3%, enquanto Marina Silva (Rede) ficou com 5,6%. Entre os profissionais de mercado, cresce a preocupação de que os candidatos do Partidos dos Trabalhadores ganhem terreno nas pesquisas eleitorais, enquanto o Geraldo Alckmin (PSDB) segue patinando nas intenções de voto.

    Sinal de que as questões locais têm pesado sobre os negócios daqui, o real brasileiro teve o segundo pior desempenho diário entre as principais divisas globais, bem próximo da perda da lira turca (-1,15%). O peso mexicano, por sua vez, se desvalorizou 0,50%, na terceira colocação mais negativa.

    “O nível de RS 4 (por dólar) já é uma realidade”, diz o profissional de Tesouraria de um grande banco local. “Com o externo piorando, o dólar vai tocar esse nível, sem dúvida. É uma questão de tempo”, acrescenta.

    Por ora, contudo, a moeda americana respeitou o ponto de R$ 3,97, que é considerado um nível importante de resistência antes dos R$ 4.00. De qualquer maneira, mesmo que haja algum respiro, a leitura no mercado é de que o dólar deve ficar num patamar mais alto – sendo bem citado o intervalo de R$ 3,90 a R$ 3,95 no curto prazo – ante os cerca de R$ 3,80 poucas semanas atrás.

    Isso não significa, porém, que haja ampla pressão para intervenção do Banco Central com swap cambial. O que se ouve de operadores é que o movimento ainda é gradual, seguindo a pressão externa. O risco político responde por boa parte da alta, mas não a ponto de ser um gatilho claro para o BC conter os ânimos dos investidores.

    Fonte: Valor Econômico, 21/08/2018

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